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Pé Torto Congênito


O Pé Torto Congênito é uma deformidade que acomete principalmente meninos, e acontece em uma proporção de 1 a cada 1000 nascidos vivos. Antigamente, o tratamento se baseava na correção cirúrgica, sem nenhum tipo de tratamento com gesso antes da cirurgia. Infelizmente, mesmo os melhores resultados obtidos geravam pés rígidos, dolorosos e com grandes cicatrizes.

Atualmente, o melhor tratamento é baseado em um método denominado “PONSETI”. O Dr. Ignacio Ponseti, médico espanhol, criou este método na década de 1950. Contudo, a técnica não foi difundida de maneira adequada por muitos anos. Com o advento da Internet, nas últimas duas décadas este tipo de tratamento se tornou conhecido em todo mundo, e estudos foram feitos para comprovar que ele gera melhores resultados do que as técnicas cirúrgicas antigas. Hoje, sem dúvida alguma, o método de Ponseti é o melhor tipo de tratamento para o Pé Torto Congênito.

A técnica se baseia na manipulação do pé seguida da aplicação de um gesso inguino-podálico (que vai da coxa até o pé). As trocas de gesso são realizadas semanalmente. Geralmente, são necessárias de 4 a 5 trocas de gesso para que o pé seja trazido para uma posição adequada. Nos casos associados a doenças como a Artrogripose e a Mielomeningocele, geralmente são necessárias mais trocas de gesso.

Grande parte das deformidades conseguem ser corrigidas com os gessos. Na maioria dos casos, contudo, o gesso não é capaz de deixar o pezinho para cima – ou seja, corrigir uma deformidade de chamamos de “equino”. Portanto, após as trocas, é necessário realizar um procedimento chamado “Tenotomia do Tendão Calcâneo”. Este consiste em cortar o tendão atrás do pé, conhecido como tendão de Aquiles. Esta pequena cirurgia, faz parte da técnica de Ponseti.

Após a tenotomia do tendão calcâneo, o paciente utiliza um gesso semelhante aos anteriores por 3 semanas. Na retirada deste gesso, iniciamos a utilização da Órtese de Denis Browne, que consiste em duas “botinhas” conectadas por uma barra.

A Órtese de Denis Browne deve ser utilizada 23 horas por dia durante os primeiros 3 meses. Após este período a utilização deve ser feita 14 horas por dia, preferencialmente nos períodos de sono, até os 4 anos de idade. Nesta fase do tratamento é importante estar bem próximo do seu médico, realizando nos primeiro mês consultas semanais, para que a órtese seja utilizada da maneira adequada. A aderência ao uso do aparelho é fundamental para o sucesso do tratamento.

Casos de pés tortos que apresentam recidivas ou não foram tratados podem ser manejados de duas maneiras: ou com cirurgias extensas, ou com a utilização do método de Ponseti. Cabe ao Ortopedista Infantil avaliar o caso e decidir pela melhor conduta.

Dúvidas sobre o assunto? Entre em contato conosco ou agende uma consulta.
Dr. Luiz de Angeli
Ortopedista Infantil